quinta-feira, 31 de março de 2011

O preço do poema

            
             I


Quanto vale o poema:
- nas frentes de batalha
- nas perdas irreparáveis
- na solidão que a alma talha?

Quanto vale o poema:
- aos nossos filhos drogados
- aos órfãos do destino
- aos desenganados?

O poema faz seu preço
ou o preço do poema
pelo tamanho da fome
é estipulado?

Quanto vale o poema:
- nas filas dos hospitais
- nas mutilações dos sonhos
- nas nossas guerras pessoais?

Quanto vale o poema:
- aos idosos desrespeitados
- às minorias esquecidas
- aos amantes desregrados?

O poema faz seu preço
ou deveras
estou enganado?


          

               II



Quanto nos cobra o poema:
 - por uma sinfonia de metáforas
 - por uma visitação à alma
 - por um deslumbre de voos?

Ou desapegado da matéria
doa-nos, ele, complacente
as suas inefáveis asas?


O preço do poema, senhores
é o poeta quem paga!












    








quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Metáforas do descaso

                                Cecília Meireles
                                           imagem google
 

Opressoras palavras
que mal (ditas)
reverberam falácias:
- quanto vale uma corrompida
metáfora?

Opressora desigualdade
estampada nas crônicas
dos viadutos
nos cárceres das calçadas:
- quem acalentará os sonhos
ah, inevitável alvorada!

Opressora discriminação
pelo silencioso véu legalizada:
- mas, noite e dia não são adornos
de um único céu?

“Não sou alegre
nem sou triste...”

E no deserto da indiferença
entre opressores e oprimidos
a poesia, simplesmente,
resiste...

      

   Poema vencedor do Prêmio Literário Ziraldo
   10a Feira do Livro de Ribeirão Preto/SP 
   Mário Massari




sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Canon divulga ganhadores de Prêmio

Compartilhe esta notícia: A Canon, empresa japonesa especializada no desenvolvimento de tecnologias de gerenciamento de documentos e de imagem, anuncia os vencedores do “III Prêmio Literário Canon de Poesia”, realizado em parceria com a Fábrica de Livros e a Editora Scortecci. Foram escolhidos os 50 melhores textos, que serão reunidos em um livro a ser lançado nos primeiros meses de 2011.
Com tema livre, o concurso, que teve sua abertura na 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo e aconteceu entre 13 de agosto e 30 de setembro, recebeu mais de 3 mil inscrições.
Os finalistas foram escolhidos por uma comissão julgadora, composta por profissionais de renomado prestígio literário e cada vencedor receberá dez exemplares da obra e contará ainda com a divulgação e promoção da antologia pela Canon nas suas ações de Marketing e Propaganda, no período de um ano.
“O objetivo desse concurso é revelar talentos, promover a literatura e difundir a impressão digital de livros no país e a cada ano estamos conseguindo movimentar muitas pessoas e desenvolver neles o interesse cultural”, afirma Jun Otsuka, presidente da empresa no Brasil.

Confira os nomes dos poetas vencedores do III Prêmio Canon de Poesia:

Alam Cristian Arezi – Porto União/SC

Allan Pitz Ribeiro de Souza - Rio de Janeiro/RJ

Almir Guilhermino da Silva - Marechal Deodoro/AL

Altair dos Santos Paim - Salvador/BA

Ana Karina Pereira dos Santos Soares - Recife/PE

Ana Laura Dimas de Freitas Rabelo - Belo Horizonte/MG

Arthur Rodrigues Clemente - São Paulo/SP

Augusto Barros Mendes - Niterói/RJ

Augusto de Oliveira Junior - Macapá/AP

Benedito Cirilo dos Santos Filho - S. G. do Sapucaí/MG

Bruna Souza de Oliveira - Novo Hamburgo/RS

Carlos Eduardo Marcos Bonfá - Socorro/SP

Carlos Oliveira Rodrigues - Sobral/CE

Carlos Roberto da Rosa Rangel - Santa Maria/RS

Eduardo Francisco Jaques Neto - Torres/ RS

Eduardo Humberto Ferreira - Uberlândia/MG

Elaine Vincenzi Silveira - São Paulo/SP

Eleni Carvalho - Diadema/SP

Francisco Carlos Pereira - Araçatuba/SP

Gabriele Nunes Moraes - Uberaba/MG

Haydée Schlichting Hostin Lima - Santa Maria/RS

João Carlos de Oliveira - Teixeira de Freitas/BA

Jonatan Gracioli do Amarante - Cianorte/PR

José Guaicurus Mendes dos Santos - Guapimirim/RJ

Leila Maria Rodrigues Daibs Cabral - Mogi das Cruzes/SP

Luciana Slongo - Herval d’Oeste/SC

Luiz Carlos da Silva - Campo Mourão/PR

Luzia Stocco - Piracicaba/SP

Manoel Vinícius da Mata Souza - Ourinhos/SP

Márcia Cristina Lio Magalhães - Fortaleza/CE

Maria Anabel Siqueira Sampaio - São Paulo/SP

Mario Donizete Massari - Sertãozinho/SP

Mariza Baur - São Paulo/SP

Marlene Edir Severino - Itajaí/SC

Marlene Rozina Feltrin - Farroupilha/RS

Matheus Jacob Barreto - Cuiabá/MT

Nielson Torres Costa - Taguatinga/DF

Paulo da Mata-Machado Jr. - Brasília/ DF

Priscila Costa Lopes - Florianópolis/SC

Raimundo de Moraes - Recife/PE

Rosane Catarina de Castro - Belo Horizonte/MG

Roselaine Dias da Cruz - São Paulo/SP

Sergio Luiz Moreira - Rio de Janeiro/RJ

Tatiana Oliveira Druck - Porto Alegre/RS

Terezinha Bertazzi Costa - Campinas/SP

Varidiana Ribeiro Mercatelli - São Paulo/SP

Vilmar Ferreira Rangel - C. dos Goytacazes/RJ

Walter Luiz Jardim Rodrigues - Belém/PA

William Lima Glins - Rio de Janeiro/RJ

Zanny Adairalba Dantas de Góes - Boa Vista/RR

sábado, 4 de dezembro de 2010

Ouvidos privilegiados - Crônica


Certo dia, conversando com um amigo, músico independente e tarimbado, confesso que fiquei deveras surpreso com o que me disse, enfaticamente:
- não me preocupam, e tampouco me influenciam, as críticas, sejam boas ou desfavoráveis, dos amigos músicos acerca dos meus trabalhos!
Antes devo dizer que a temática central de nossa conversa era a arte, especialmente música e literatura.
Imediatamente interpelei-o com um barril de argumentações: mas como, se os músicos possuem maior capacidade para analisar os seus trabalhos, se providos eles de conhecimentos teóricos e práticos estão em sintonia com a qualidade ou não de uma produção musical, se detentores, eles, de “ouvidos privilegiados” conseguem captar a extensão..., blá, blá, blá...
Nesse ínterim outros amigos chegaram, uns quatro ou cinco, se a memória não me engana, e a prosa tomou rumo diverso.
Mas em certo momento, quando a madrugada já se adiantava e tencionando dormir, solicitei-lhe que apresentasse o seu CD, na ocasião, recentemente lançado.
Após analises acerca do trabalho: quem compusera as melodias, músicos que haviam participado das gravações, custo da produção, etc., adquiri, a exemplo dos outros, um exemplar.
E quando já me levantava para partir ele segurou-me pelo braço:
- Entendeste agora!
- Os amigos músicos, geralmente, não compram os meus trabalhos.
E confesso que até hoje ando a meditar sobre isso. 

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Edital

                ACADEMIA SERTANEZINA DE LETRAS
                                           EDITAL

A Academia Sertanezina de Letras comunica que se encontram vagas as  cadeiras (Membros Efetivos) de números 15 a 33 e 35 a 40.

Os interessados em concorrer ao preenchimento das mesmas deverão endereçar requerimento à ASEL – Academia Sertanezina de Letras (Rua Aprígio de Araújo, 1102, Centro, CEP: 14160-550), acompanhado de:

                  1. “Curriculum Vitae”;
                  2. Relação de sua produção literária ou artística (se houver);
                  3. Três exemplares de cada obra (se for o caso).


As inscrições deverão ser feitas até o dia 31/01/2011 e as postulações serão analisadas em Assembleia(s) Interna(s), conforme o Estatuto da Academia.

                                         Sertãozinho, 20 de novembro de 2010   


ASEL – Academia Sertanezina de Letras

sábado, 13 de novembro de 2010

Prêmio Literário Fundação Biblioteca Nacional/2010


O meu livro Espelhos do Tempo concorre na categoria poesia nesse prêmio que é, hoje, um dos mais importantes no Brasil para livros publicados.
Outras categorias que o prêmio contempla: Ensaio Literário, literatura infantil e juvenil, projeto gráfico, romance, tradução, ensaio social e contos.
Espelhos do Tempo, lançado durante a Feira do Livro de Sertãozinho/SP,  abriga poemas contemplados em alguns importantes concursos literários tais como o Prêmio Literário Cidade Poesia de Bragança Paulista/SP, Prêmio Literário Ziraldo da 10ª Feira do Livro de Ribeirão Preto/SP, III Prêmio Literário Canon de Poesia...



sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Mil tons


Sempre nutri uma grande admiração pelos músicos da noite, artistas que, geralmente, não são devidamente reconhecidos. No meu livro "Beirais" incluí um poema "Mil tons", dedicado ao músico sertanezino Décio Cirqueira, mas que se estende a toda essa classe que, com amor à arte, torna as nossas noites e , por conseguinte dias, mais agradáveis. Afinal, a música é a melodia da alma. Décio Cirqueira é pessoa requisitada e conhecidíssima nos meios musicais. O cara é fera, acompanhou vários artistas como , por exemplo, Antonio Carlos e Jocafi.  É também professor de música na cidade de Sertãozinho. O meu reconhecimento a todos os músicos. E o meu abraço especial ao Decinho.


                   Décio Cirqueira - Decinho


                 Mil tons

Entre pausas e mil tons
                        a melodia passeia
nascimento harmônico
de jobins e caetanos
belchiores e tantos...

No burburinho do instante
cristais refletindo o encanto
aveludadas vozes são poemas
de chicos para bethânias.

Ah!  caro músico
quão belo é o teu desígnio
da embrutecida indiferença
talhar a essência da vida,
em letras que nos aproximam
do criador, atento ouvinte.